Mulheres na perícia: dedicação e pioneirismo marcam trajetória feminina na Pefoce
8 de março de 2026 - 06:59 ##Dia Da Mulher ##pefoce #PericiaCriminal

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) destaca a contribuição e a trajetória das mulheres que ajudam a fortalecer a produção da prova técnico-científica no estado. Presentes em diferentes áreas da instituição, da criminalística à medicina legal, da identificação humana às análises laboratoriais, elas atuam com rigor técnico, sensibilidade e compromisso com a justiça.
Criada em 7 de janeiro de 2008, a Pefoce conquistou autonomia administrativa, financeira e patrimonial, consolidando-se como órgão responsável pela perícia oficial no Ceará. A instituição incorporou as atividades dos extintos Instituto de Identificação (II), Instituto de Criminalística (IC) e Instituto de Medicina Legal (IML), ampliando sua estrutura e modernizando a atuação pericial no estado.
Entre as profissionais que ajudaram a construir essa história está a perita criminal adjunta, Percília Rabelo, que ingressou no serviço público em 1994 e completa, em 2026, 32 anos de atuação na área. Ao longo dessas décadas, ela acompanhou transformações importantes na instituição e também enfrentou desafios relacionados à presença feminina em áreas tradicionalmente ocupadas por homens.
Desafios e pioneirismo na carreira
Ao relembrar os primeiros passos na carreira, Percília recorda um episódio que revela o cenário enfrentado por muitas mulheres em determinadas áreas no passado. Mesmo diante da resistência inicial, foi justamente nesse campo que ela encontrou sua vocação profissional. “Quando surgiu a vaga para identificação veicular e eu disse que queria ir, meu chefe na época respondeu: ‘Não, mas mulher não pode’. Foi justamente nesse trabalho que eu me encontrei”, relembra.
A escolha pela carreira pública também foi marcada por um incentivo familiar. Segundo a perita, a valorização do serviço público e a busca por estabilidade profissional foram fatores que influenciaram sua decisão no início da trajetória. “Naquele tempo não era comum, porque nas famílias, e principalmente na minha, havia muita necessidade de estabilidade. Minha mãe sempre colocava na cabeça dos filhos a importância de um concurso público. Eu vim primeiro atrás disso e, por coincidência, vi o concurso da Polícia Civil e me interessei”, conta.
Transformações na perícia ao longo dos anos

Ao ingressar na perícia, a realidade estrutural era bastante diferente da atual. As atividades exigiam grande atuação em campo e, muitas vezes, os profissionais precisavam desempenhar diferentes funções diante da limitação de recursos disponíveis na época. “Antigamente a gente trabalhava muito no externo e tinha poucos laboratórios. Na perícia externa, na parte de trânsito e homicídios, a gente fazia de tudo um pouco”, explica.
Com a criação da Pefoce e a ampliação da estrutura técnica ao longo dos anos, o trabalho pericial passou a contar com melhores condições operacionais, novos equipamentos e maior suporte institucional para as equipes. “Com o decorrer da Pefoce surgiram os laboratórios e a estrutura foi melhorando. Aqui a gente tem viatura, melhores equipamentos e mais suporte para o trabalho. Foi uma experiência muito importante para a minha vida, porque foi ali que comecei a construir meu aprendizado. E a cada dia a gente continua aprendendo mais”, destaca.
A força das mulheres na perícia
Para Percília, a presença feminina na perícia representa também um processo de superação de estereótipos e ampliação de espaços profissionais dentro da segurança pública. A atuação das mulheres demonstra que competência técnica e dedicação não têm gênero. “A Pefoce está de braços abertos para receber todas as mulheres que desejem trabalhar na área. Até na identificação veicular, que muita gente associa mais aos homens, as mulheres conseguem atuar. Eu vou para debaixo de carro, para debaixo de moto, coloco papelão no chão e faço o que for necessário. Nós somos guerreiras e levamos essa fortaleza da mulher para o nosso trabalho”, afirma.
Ao longo de quase três décadas e meia de dedicação, a trajetória da perita criminal reflete não apenas a evolução da perícia oficial no Ceará, mas também o avanço da presença feminina em espaços estratégicos da segurança pública. Neste Dia Internacional da Mulher, a Pefoce reconhece e valoriza o trabalho das profissionais que, com conhecimento técnico, compromisso e determinação, contribuem diariamente para o fortalecimento da ciência forense e para a promoção da justiça no estado.