Série Profissões da Pefoce: perito odontolegista

6 de fevereiro de 2026 - 10:33 # # #

Em celebração aos 18 anos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), a instituição lança a parte três da série especial Profissões da Pefoce, projeto que apresenta à sociedade o trabalho dos profissionais responsáveis pela produção da prova técnico-científica e pelo fortalecimento da Justiça.
Nesta edição, o destaque é o perito legista da área de Odontologia.

Na Pefoce, o cargo de perito legista é estruturado em duas áreas de atuação, Odontologia Legal e Ciências Farmacêuticas Forenses, cada uma com formação superior específica. A segunda matéria da série abordou o perito legista farmacêutico; agora, a Odontologia Legal ganha protagonismo na atuação pericial.

Perito legista – Odontologia

Os peritos odontolegistas que atuam na Odontologia Legal integram a Coordenadoria de Medicina Legal e trabalham em regime de plantão 24 horas, atendendo demandas da população externa, vítimas e custodiados, e atuando também no necrotério quando necessário conhecimento odontológico pericial.

Entre as atividades desenvolvidas estão exames de lesão corporal, procedimentos de estimativa de idade, identificação de corpos não identificados, análises de marcas de mordida e outras perícias relacionadas ao conhecimento odontológico, incluindo a caracterização do exercício legal da odontologia em situações que exigem verificação técnica específica.

Atuação no Núcleo de Odontologia Forense da Pefoce

No Núcleo de Odontologia Forense, os exames mais recorrentes envolvem lesão corporal, estimativa de idade e identificação humana. As perícias de lesão corporal são realizadas quando há indícios de violência na região da face, frequentemente associadas a casos de violência doméstica, violência interpessoal e maus-tratos infantis. Nesses exames, também se destacam as análises de marcas de mordida, comuns nesse tipo de ocorrência.

Os exames de estimativa de idade são solicitados quando existem dúvidas quanto à idade do periciando, especialmente em situações de ausência de documentação ou de documentos questionados. A avaliação é feita a partir de características odontológicas, como o desenvolvimento dentário e padrões de desgaste observados na vida adulta.

Já os exames de identificação humana são empregados em casos de corpos carbonizados, ossadas ou em avançado estado de decomposição. O perito analisa as características odontológicas do corpo e as compara com registros dentários de pessoas em vida, possibilitando a identificação positiva ou negativa.

Avanço Técnico

 

Para o perito legista Tácio Pinheiro Bezerra, que atua há 19 anos no Núcleo de Odontologia Forense da Pefoce, o futuro da área passa pelo fortalecimento institucional e científico da odontologia legal. “Eu gostaria de imaginar e projetar um crescimento da odontologia dentro do meio pericial, um fortalecimento da odontologia junto à política de identificação de pessoas desaparecidas, à política nacional de pessoas desaparecidas, e também o crescimento e desenvolvimento de pesquisas na área, porque aqui nós trabalhamos com procedimentos técnico-científicos”, destaca.

Segundo ele, a aproximação entre ciência e prática pericial é fundamental: “A aproximação da ciência com a prática pericial é algo muito salutar. Eu espero que, nos próximos 18 anos, nós possamos produzir muito conhecimento, muita pesquisa, utilizar inteligência artificial e ferramentas computacionais para auxiliar cada vez mais a Justiça no esclarecimento das dinâmicas, materialidades e autorias criminosas” conta.

Identificação, justiça e acolhimento às famílias

Entre os casos que marcaram sua trajetória, Tácio relembra uma atuação em identificação de vítimas de desastre. “Um caso que me marcou bastante foi a identificação de vítimas de um desastre aéreo. Eu ainda era recém-ingresso na perícia e fui convocado para colaborar na identificação de três vítimas que morreram na queda de um helicóptero em uma região litorânea do Ceará”, recorda.

De acordo com o perito, apesar da comoção social e da complexidade do caso, o trabalho trouxe respostas rápidas às famílias. “Eram vítimas carbonizadas, mas, em um curto período de duas horas, foi possível realizar a identificação das três vítimas, liberar os corpos e permitir que cada família pudesse viver o seu momento de luto. É um momento triste, sem dúvidas, mas para nós é gratificante porque conseguimos auxiliar na resolução de um conflito familiar muito impactante” reforça.

Outro ponto enfatizado por Tácio é o trabalho integrado com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas. “Poder contribuir com a identificação de pessoas desaparecidas é algo muito gratificante. Ajudar as famílias a encerrar um luto é uma das partes mais sensíveis e humanas do nosso trabalho”, finalizou.

Ao assegurar a correta identificação humana, o trabalho pericial contribui diretamente para a efetivação da justiça, o esclarecimento de fatos e o amparo às famílias em momentos de extrema dor. Trata-se de um serviço essencial à sociedade, que alia ciência, responsabilidade institucional e sensibilidade humana no fortalecimento da cidadania e da confiança nas instituições públicas.