Pefoce ajuda a identificar e localizar famílias de pacientes que deram entrada como desconhecidos nos hospitais de Fortaleza

3 de Maio de 2018

Fugindo um pouco da rotina dos locais de crimes, onde geralmente se busca descobrir a causa da morte de uma vítima ou provas que apontem a autoria de delitos de diversas naturezas, os servidores da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) também dão suporte ao trabalho de resgate de vidas nos hospitais. Isso ocorre por meio da identificação papiloscópica (impressões digitais) dos pacientes desconhecidos, que dão entrada em unidades de saúde sem documentos, sem acompanhantes e, em muitos casos, com o estado de saúde comprometido.

Há quatro anos iniciava o trabalho de identificação papiloscópica nos hospitais públicos, desempenhado pela Coordenação de Identificação Humana e Perícias Biológicas (CIHPB) da Pefoce. A ação consiste em facilitar a localização dos parentes dessas pessoas que se encontram debilitadas em leitos hospitalares e também providenciar documentos para as que não possuem.

Ao longo do ano de 2015, o auxiliar de perícia, Humberto Quezado, oriundo da equipe de perícia criminal, pensou em como o seu trabalho poderia beneficiar a comunidade de maneira mais social. Então, passou a se dedicar a esse trabalho nos hospitais que ele próprio classifica como gratificante. “Tudo começou com um sentimento de empatia, de se colocar no lugar de outra pessoa e se imaginar em eventuais necessidades que ela possa ter. Por exemplo, se for acidentada ou eventualmente sucumbir a problemas com vícios de álcool ou drogas e não ter sequer um familiar próximo para dar amparo ou apoio moral diante de um problema grave ou de uma doença que a incapacite”, conta.

Desde o primeiro paciente identificado que retornou para o seu lar, ainda na fase ‘experimental’, em 2015, a CIHPP contabiliza cerca de 90 pacientes devidamente identificados por meio da técnica papiloscópica, 50 deles em 2017.

Solicitações

Os hospitais enviam um ofício para a CIHPB, solicitando o procedimento em favor desse perfil de paciente. Um servidor da Pefoce faz a coleta das impressões digitais e localiza dados sobre a pessoa. Com isso, torna-se mais fácil encontrar seus parentes e comunicá-los sobre a internação, estado de saúde e alta médica. Há também a necessidade de o hospital comprovar que o paciente teve atendimento naquela unidade de saúde por uma questão de prestação de contas.

A assistente social, Cláudia Andrade, do Hospital de Messejana Dr.Carlos Alberto Sturdat Gomes, conta que antes desse trabalho desenvolvido pela Pefoce era mais difícil conseguir encontrar pessoas ligadas aos internos, pois nem sempre os parentes vão aos hospitais procurar por seus familiares. Em algumas situações mais delicadas, já não há um vínculo forte familiar entre as partes e a família já não tinha informações sobre a pessoa há bastante tempo e acaba reencontrando-a, apesar da circunstância. 

Outra situação relatada pelos funcionários dos hospitais é ouvir destes pacientes que eles não possuem documento de identificação (RG). Alguns já perderam o documento e não retiraram a 2ª via, enquanto outros não o possuem por se encontrarem em situação de vulnerabilidade social (morando na rua) e nunca tiraram o RG. Cláudia explica que, antes, essa situação de um número elevado de pacientes desconhecidos provocava uma certa lotação. “Houve casos em que o paciente ficou cerca de três meses no hospital mesmo após receber alta clínica. A gente precisava identificá-lo para concluir os procedimentos do atendimento. Após a parceria com a Pefoce esse tempo foi otimizado. Agora é mais fácil localizar os parentes ou confeccionar o documento de identificação”, afirma.

Após coletar as informações com a equipe médica e a assistência social do hospital, o auxiliar de perícia Humberto realiza uma espécie de entrevista com o paciente (quando há possibilidade cognitiva dele responder aos questionamentos). O intuito é recolher o máximo de informações sobre a pessoa para auxiliar na identificação e na localização de familiares. Durante essa visita, todas as impressões digitais são coletadas e encaminhadas para a Pefoce, onde são analisadas junto a um banco de dados da CIHPB.

Os hospitais que os peritos visitam com maior frequência são: o Instituto Doutor José Frota (IJF), Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e o Hospital de Messejana devido às complexidades e elevadas demandas de pacientes. Nestes locais, os atendimentos ocorrem até duas vezes por semana. A Pefoce planeja ampliar esse número de assistências.